Ministra da Saúde recusa demitir-se após o relatório do IGAS
A ministra da Saúde afirmou ontem, quinta-feira, que vai continuar no cargo, avançando que "não houve" relação entre a morte de um homem e a greve do INEM, após a inspeção ter concluído que o óbito poderia ser evitado. Ana Paula Martins garantiu que continua disponível para "trabalhar sob a liderança do meu primeiro-ministro".
“Uma coisa é certa, nunca fugirei às minhas responsabilidades de natureza política, mas o que hoje aqui está em causa, através de um relatório que é o espaço certo para se fazer esta avaliação, é que não houve, repito, não houve nenhuma relação entre a infeliz ocorrência e a greve do INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica]”, disse aos jornalistas Ana Paula Martins.
Na quarta-feira, a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) divulgou um comunicado em que confirmou que morte de um homem de 53, em novembro de 2024 em Pombal, quando decorreu uma greve no INEM, poderia ter sido evitada se tivesse sido socorrido num tempo mínimo e razoável.
Oposição quer demissão de ministra
Os partidos da oposição querem que a ministra da Saúde tire consequências políticas do período de greve no INEM. Dizem que não tem condições para continuar no Governo. A Iniciativa Liberal quer uma comissão de inquérito. O PS avisa que o caso responsabiliza também o primeiro-ministro.
Na quinta-feira, o Chega e o PS pediram consequências políticas sobre a conclusão do relatório da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), e a IL adiantou que vai propor a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito à gestão do INEM. Ao final do dia, os socialistas avançaram que vão pedir a audição urgente da ministra da Saúde, considerando que é tempo de Ana Paula Martins “assumir as suas responsabilidades”.
Também o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou ser necessário “apurar os factos todos e as responsabilidades”, sendo que a “responsabilidade política” não pode ser posta de lado. Esta sexta-feira, André Ventura, líder do Chega, revelou que vai viabilizar CPI proposta pela Iniciativa Liberal à gestão do INEM.
O Chega leva o relatório da IGAS "muito a sério e que vai viabilizar as chamadas da governante ao parlamento, e defende que o escrutínio tem de ser feito no parlamento, "quer através de um inquérito, ou na comissão de saúde". Sobre os pedidos de esclarecimentos de vários partidos da oposição, Ana Paula Martins disse estar “sempre disponível” para responder àquilo que a Assembleia da República lhe quiser perguntar.
"Eu estou sempre disponível para responder a todas as questões que me sejam postas em qualquer circunstância e continuarei a trabalhar sob a liderança do meu primeiro-ministro", garantiu. O primeiro-ministro remeteu a discussão de relatórios, como o da IGAS, para o Parlamento. Em Bruxelas, Luís Montenegro recusou responder se retira consequências políticas sobre o caso das mortes durante a greve do INEM.

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